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02/05/2008
- CRESCE ESPAÇO PARA MODA NOS SUPERMERCADOS BRASILEIROS

Tendência acirra pesquisa de moda, qualidade e preços
Não são só as tão faladas
shopping bags que fazem a atual relação da moda com os supermercados. No
tempo em que pesquisas de economia afirmam que
a classe C passou a ser maioria no Brasil,
as grandes redes de supermecados correm atrás deste público, investindo na
chamada modinha e lançando novidades quase que semanalmente. A
edição de abril
da revista Exame inclusive destaca: “Depois de uma longa e tenebrosa
hibernação, parece que o gigante começou a se mexer e, quando um país desse
tamanho resolve sair do lugar, a repercussão costuma ser mundial. É o que se
vê atualmente. Crescimento econômico acima de 4% ao ano, multiplicação de
empregos, acesso ao crédito e elevação da renda estão reproduzindo no país
um fenômeno típico de sociedades avançadas: a criação de um mercado
consumidor de massa, forte e cada vez mais complexo”.
A Wal-Mart Brasil, detentora do hipermercado Big, com varejo
no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, apesar de não
informar números da produção e vendas, contou que a área têxtil é hoje um
dos departamentos mais importantes da rede. “Entendemos que nosso consumidor
não vem às nossas lojas para comprar têxtil isoladamente, mas queremos que
quando ele entre, perceba nossa linha e possa encontrar produtos de
qualidade, com estilo e excelentes preços”, disse Adriana Ramalho, Diretora
de Desenvolvimento da Área Têxtil do Wal-Mart Brasil. Quem vai a uma das
lojas da rede, justamente antes de chegar aos produtos alimentícios, tem que
passar pela área têxtil, sempre localizada estrategicamente no caminho. E
quem fala mais alto são realmente os preços, já que a rede é conhecida pelo
slogan “Preço Baixo Todo Dia”. De acordo com Adriana, os valores das peças
de moda variam de acordo com a categoria, mas estão sempre dentro da
política da empresa. “Cobrimos qualquer oferta da concorrência na hora, no
caixa”, lembra.
O preço, porém visto de outra ótica, também foi o que incentivou, em 2007, o
Grupo Pão de Açúcar a contratar para sua área de não-alimentos Pedro
Janot, que comandava as operações da Zara no Brasil desde 1999, tendo
passado também pela Richard´s, Lojas Americanas e Mesbla. A idéia visou
fortalecer o setor por causa da margem de lucro maior que ela pode atingir
com esses produtos. A meta do Grupo Pão de Açúcar é aumentar a participação
desse setor de 26,7% (2006) para 34% até 2010.
Para a Carrefour, que comercializa peças com valor entre R$ 9,99 e R$
89,90, a linha de confecção feminina vem se destacando. Recentemente, a rede
começou a dividir suas peças de acordo com estilos de vida: mulheres
básicas, modernas, esportivas e jovens.
Conhecendo as linhas

A Wal-Mart Brasil/Big trabalha com
quatro linhas. “George” atende os públicos feminino, masculino e infantil,
com roupas e acessórios contemporâneos e casuais para o dia-a-dia; “Simply
Basic” traz peças práticas e versáteis para todos os momentos; “725
Originals” absorve as últimas tendências da moda feminina e masculina, e
“Athletic Works”, foca o fitness.
O hipermercado também tem apostado em lançamentos eco, como a camiseta de
fibra PET, da marca George, e as cuecas e calcinhas de bambu, em parceria
exclusiva com a Zorba.
Já o Carrefour trabalha com a marca própria “Tex”, que atende os públicos
feminino, masculino e infantil. Recentemente, uma parceria também foi feita
com a americana Hang Ten, com venda exclusiva no Brasil. O estilo aqui é
street, com roupas ligadas ao surf, também para os três públicos.
A pesquisa de moda
De acordo com o departamento têxtil do Wal Mart Brasil/Big, houve uma grande
evolução nos últimos anos, com o consumidor mais atento à moda e, portanto,
uma necessidade maior de pesquisa de moda e adequação de mercado. Eles
possuem uma equipe exclusiva para pesquisar as tendências e adequá-las ao
seu perfil de consumidor.
O Carrefour também conta com uma equipe focada no desenvolvimento das
coleções, composta por estilistas, analistas e gerentes têxtil. “Nossas
coleções valorizam desde as principais tendências internacionais até os
hábitos e costumes dos brasileiros, alinhados às condições de clima,
manequim brasileiro e propostas diferentes de estilos de vida”, informam.
Tanto as peças do Big, quanto as do Carrefour, são criadas com
exclusividade, com produção concentrada no Sudeste, Sul e Nordeste, além de
alguns produtos que são importados.
A opinião dos consumidores
Luciane Silveira, 43 anos, dona de casa, olhava atentamente as peças
infantis: “É a primeira vez que venho. Estou esperando meu marido que está
fazendo compras no mercado. Os preços estão acessíveis e estou vendo algo
para a minha neta”.
Juarez Torres da Motta, 76 anos, aposentado, procurava uma camisa masculina
de mangas curtas: “Procuro algo que custe na base de R$ 15, mas que não seja
em tecido quente, e a gente acha. Tem até calças jeans a R$ 24. São muito
boas, eu mesmo tenho uma”.
Vanessa Lopes, 26 anos, contadora, trabalha próximo ao supermercado: “Aqui
acho peças com bom preço e também com qualidade. Compro mais moda casual,
roupa de trabalho, um estilo básico, tradicional”.
Vilma Finkler, 61 anos, vendedora, acompanhava o marido na escolha de uma
bermuda que estava na promoção por R$ 7: “Sempre que viemos ao mercado,
damos também uma olhada nas roupas. A malha dos moletons é muito boa e em
conta. Costumo também consultar as roupas para os netos, as coisas de
criança são um encanto”.
Cleber Vargas de Lima, 34 anos, motoboy, ganhou um cheque presente de R$ 30
e selecionava peças para completar o valor: “É a primeira vez que venho e
vou voltar. Com o cheque-presente, optei por escolher roupas íntimas para
mim e para meus filhos”.
Letícia Souza, 25 anos, secretária, estava passando o tempo e conferindo as
novidades: “O que mais me chama a atenção são os jeans, que regulam o valor
de outros lugares que compro, mas que me chamam a atenção pelo estilo
mesmo”.
Débora Martins, 19 anos, estudante de psicologia, usava look totalmente
fashion, com saia curta, meia-calça escura e ankle boots, quando entrou no
mercado para comprar outras coisas, mas foi atraída por uma peça no setor de
moda: “Vi esta sapatilha peep toe em verde degradê, com ferragem
prata em cima, e me chamou a atenção. Olhei o preço e também está bom, a R$
49”.
Parcerias com estilistas
Existe um aspecto que ainda não foi explorado por este mercado no Brasil. É
justamente a idéia de fazer com que grandes estilistas façam coleções
específicas para serem vendidas nos supermercados. Quem chegou mais perto
deste experimento foi Isabela Capeto, que no ano passado, desenvolveu uma
coleção para a Taeq, marca do Grupo Pão de Açúcar, que vende nos
supermercados da rede. A linha focou o bem-estar, utilizando tecidos
tecnológicos e apelo ecológico (conheça a coleção
aqui).
Nas imagens, o desfile realizado em 19 de março pelo BIG Sertório, em Porto
Alegre (RS), e as dependências da área têxtil de um supermercado Carrefour,
com espaços bem separados para cada público e linha.
Fonte:
Portal
UseFashion
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