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22/04/2008 -
SUSTENTABILIDADE: ALIAR TECNOLOGIA E ECOLOGIA FAZ BEM PARA A NATUREZA E PARA
O FLUXO DE CAIXA
A preocupação crescente da
sociedade com o desenvolvimento sustentável tem levado as empresas de moda a
investirem tempo e dinheiro em viabilizar seu negócio tendo em mente o meio
ambiente. Há várias iniciativas nessa área que vão além dos requisitos
básicos exigidos em lei e todas ajudam as empresas a fazer bons negócios.
Matéria-prima limpa
Acompanhando os lançamentos das coleções, percebe-se vários investimentos na
cadeia produtiva das fibras alternativas, sejam elas orgânicas, como o
algodão colorido no pé, ou simplesmente mais duráveis, como tecidos de fibra
de bambu. Além disso, processos mais limpos, eficientes e certificados
internacionalmente também fazem sua parte na manutenção do meio ambiente.
“O algodão colorido
naturalmente atenua ou dispensa a necessidade de tingimento”, explica o
professor de Tecnologia Têxtil da Feevale, Luiz Carlos Robinson. “Apenas
este processo é responsável por maior parte da poluição da indústria têxtil
e esta economia compensa a produtividade 10% menor em relação ao branco”.
Apesar do processo de
industrialização diferenciado, as roupas produzidas com ele não diferem em
qualidade das produzidas com a matéria-prima comum. Mesmo assim, muitos
fabricantes têm preferido apostar em looks mais “naturais”, que comuniquem
bem seu caráter ecológico.
De acordo com maior parte dos
especialistas de marketing, um dos mandamentos fundamentais em qualquer
estratégia de valorização é comunicar os elementos de diferenciação, mesmo
que isso signifique não seguir a moda do momento.
Com esse cenário favorável e
uma produção muito menor, o algodão alternativo ainda é pouco representativo
no mercado (menos de 2% de todo o algodão mundial é orgânico) e as empresas
do segmento disputam o acesso à matéria-prima à tapa. Por esse motivo, os
produtos fabricados são mais caros, independente dos looks.
Paralelo
a isto, tem-se percebido uma presença marcante de “linhas verdes” no
catálogo de boa parte dos expositores das feiras brasileiras, como a FEMATEX
(Feira Internacional para a Indústria Têxtil e Confecção), em Blumenau (SC).
A Horizonte Têxtil, por
exemplo, está introduzindo no mercado sua lona construída com trama de fio
de poliéster reciclado a partir de garrafas PET e urdume de fios de algodão
reciclados de sua própria fiação. Segundo por Monika Debasa, Gerente de
Produto da empresa, o foco é o uso em sacolas e bolsas com temática
ecológica, além de calçados e móveis.
Além de ocupar um nicho de
mercado bastante promissor – basta ver a mobilização de consumidores contra
as sacolas plásticas (Veja
matéria clicando aqui)
em vários municípios brasileiros – a empresa garante não canibalizar seus
outros produtos por ter um propósito bem determinado. Ou seja, linhas
ecológicas se focam em mercados de ativistas, ao contrário de buscar o
público geral. Obviamente que quanto mais ativistas surgirem no mercado,
tanto melhor para o faturamento da companhia.
Controle rígido e
tecnologia
Na contramão dos nichos ecológicos, a solução das empresas preocupadas com o
desenvolvimento sustentável pode ser uma recomendação comum de qualquer
administrador: investir em tecnologia e produtividade. O raciocínio é
simples: quanto mais eficiente for o processo, menos recursos serão
desperdiçados, os produtos ficam mais baratos e todos juntos salvam o meio
ambiente.
“Um avanço interessante na indústria têxtil é a utilização de fiação com
`jato de ar´, que são mais produtivos, mais dinâmicos e possibilitam a
produção de fibras têxteis com menor diâmetro, portanto mais leves”, conta
Luiz Carlos Robinson. Segundo dados de estudiosos, uma fiação à jato de ar
produz 180 m/hora sem geração de pó, ao passo que uma fiação mecânica mal
chega a uma fração disso.
Usando a tecnologia de fiação à jato de ar, a empresa de fios especiais H.
Marin disponibilizou no mercado um fio misto com alto teor de poliéster
proveniente de PET. “Os fios mistos misturam algumas vantagens dos
filamentados sintéticos, como alta tenacidade, com as características suaves
das fibras naturais”, explica o empresário Antônio Marin. Com isso, é
possível empregar o fio misto tanto para a trama quanto para o urdume na
fabricação de tecidos planos.
Busca pela
certificação trouxe ganhos
Aliada às melhoras trazidas pela tecnologia, o incremento em qualidade e
eficiência proveniente de melhores práticas de gestão e controle implantadas
a partir das certificações ISO 14.000 e OEKO-TEX-100 certamente tem um
impacto maior.
Em 98, quando o Grupo Vicunha começou a trabalhar mais intensamente em
eficiência de recursos energéticos para obter sua certificação ISO 14.000, o
seu consumo de eletricidade por metro de jeans produzido era 2,8 Kw. Hoje,
10 anos depois, é de 2,3 Kw/m. A redução substancial de 17% no total
consumido se deve a um trabalho para otimizar o uso de energia premiado pelo
Procel (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica) em 2003.
“Hoje reutilizamos em torno de 65% da água utilizada no processo”, explica
Fred Lapa, o gerente de controle de qualidade índigo e brim da empresa. Além
disso, passou a medir com mais carinho o gasto de vapor e a emissão de
efluentes.
Além dos ganhos econômicos e ecológicos em diminuir o desperdício, a
indústria tem uma motivação especial para cuidar da natureza: o selo
OEKO-TEX-100. Alguns países europeus importam apenas tecidos com esta
certificação.
Por outro lado, manter-se a par do mercado e da moda pode ser trabalhoso.
Segundo Fred, é necessário pesquisar e desenvolver novos produtos que
impactem menos no meio ambiente para não ficar para trás do mercado.
Fonte:
UseFashion
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