ARTIGOS

28/01/2008 - Victoria´s Secret reinventa-se

   

Alessandra Ambrósio

     

Adriana Lima, Izabel Goulard e Heidi Klum

Com o aumento de varejistas apostando nas linhas de moda íntima, marcas como Victoria´s Secret estão cada vez mais sujeitas a novos desafios no mercado norte-americano, favorecendo a necessidade de esforços para cativar a preferência dos consumidores.

Apesar dos diversos esforços de marketing desenvolvidos pela Victoria´s Secret, aos quais envolvem o recurso a modelos conhecidas e que culminou recentemente com a décima apresentação anual do Victoria´s Secret Fashion Show, mesmo a tempo das últimas compras da estação, as vendas da marca no mercado norte-americano não têm respondido às expectativas.

De acordo com Marshal Cohen, analista-chefe para a indústria do NPD Group, o último ano tem sido difícil para as lojas de vestuário íntimo como a Victoria´s Secret, porque este nicho de mercado está sendo desafiado de novas formas. Estes novos desafios resultam da existência de cada vez mais varejistas apostarem nas linhas de moda íntima.

O varejista JC Penney lançou uma marca de vestuário íntimo chamada Ambrielle, a American Eagle Outfitters expandiu a sua linha jovem Aerie, enquanto que a Lane Bryant, varejista dedicado aos números grandes, lançou uma grande campanha de lingerie. Cohen refere que os varejistas vão concorrer em termos de vestir, qualidade dos têxteis e competências dos funcionários das lojas para encontrar o modelo certo para o cliente.

Frente a esta nova concorrência, Cohen refere que principalmente os varejistas como a Victoria´s Secret vão debater-se com a concorrência em todas as idades, desde jovens a idosos, em todos os tamanhos, de pequeno a grande, assim como nos preços.

As vendas do terceiro trimestre refletem a forte concorrência. Em meados de Novembro, a Limited Brands (empresa que detém a Victoria´s Secret) registrou um decréscimo de 49% no lucro líquido para o trimestre, e uma quebra de 3% nas vendas por loja para as 13 semanas que terminaram no dia 3 de Novembro. Estes resultados devem-se às fracas vendas registradas em duas das marcas da Limited, nomeadamente a Victoria´s Secret e a Bath & Body Works. Em Julho de 2007, o grupo vendeu duas grandes cadeias com baixo desempenho, The Limited e a Express, com o objetivo de melhorar a rentabilidade.

Mas como a Victoria´s Secret está tentando inverter esta situação? Sharen Turney, a presidente executiva da marca, refere que ao longo da estação natalícia os esforços foram concentrados nos consumidores de mercado eletrônico, fundamentalmente adolescentes e estudantes de ensino superior. Além da promoção do evento de moda, a marca de lingerie conta com a parceria das reunificadas Spice Girls, cuja última coletânea de sucessos será vendida exclusivamente nas lojas da rede e no portal da marca, Victoriassecret.com.

Turney refere que manter a relevância é um elemento fundamental nesta frágil economia, considerando que os esforços de marketing on-line, destinados aos consumidores mais jovens, poderão resultar a longo prazo. Assim como a continuação da aposta nos contributos criativos de designers de moda, incluindo Ann Sui e Dolce&Gabbana, que criaram peças exclusivas apenas para a marca. Ao longo deste ano, é de prever a integração da moda praia da Victoria´s Secret em mais lojas de varejo e vários lançamentos de sutiãs.

De acordo com Cohen, os novos esforços desenvolvidos deverão beneficiar a Victoria´s Secret. A estratégia de seguir uma linha de diferenciação da restante oferta do mercado com uma maior presença junto do consumidor, deverá ajudar a marca a permanecer no topo junto do seu mercado alvo. No entanto, com o cenário econômico menos promissor no mercado norte-americano, talvez venha a ser necessário algo mais do que boas estratégias para conseguir aumentar as vendas.

Fonte/fotos: Guia Jeans Wear