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30/04/2008 - Tecelagens e grifes preparam novas coleções em período de entressafra da moda

A última edição do São Paulo Fashion Week foi há três meses. Para quem está fora da indústria, agora parece ser uma fase tranqüila, já que as lojas exibem as coleções de inverno e a próxima temporada de moda acontece só em junho. Para quem está dentro, a produção anda a todo vapor.

Para as fábricas que fornecem tecidos para coleções desfiladas no SPFW, este é o momento de fazer as entregas. É o caso da Santacostancia, uma das tecelagens mais importantes do país, dirigida por Costanza Pascolato. "Vendemos o inverno e estamos desenvolvendo o alto verão", diz. Segundo a empresária, não existe uma fase mais agitada: "estamos sempre correndo para produzir tudo, pois temos lançamentos quase todos os meses".

A escolha do tecido está entre as primeiras etapas da criação de uma coleção, seguida da definição de cores e de estampas. Para Sara Kawasaki, estilista da
Huis Clos, a pesquisa dos materiais é feita com muita cautela. "O tecido é o corpo de uma roupa. Às vezes ele é exclusivo, mas não é muito fácil o seu desenvolvimento. Requer tempo, matéria-prima, maquinário e interesse da indústria têxtil. Muitos acabam sendo exclusivos no Brasil porque vamos à Première Vision [maior feira têxtil do mundo, que acontece duas vezes por ano em Paris] e compramos", diz a estilista.

A Santaconstancia, por exemplo, não desenvolve tecidos exclusivos brasileiros. "Oferecemos bons produtos de base e modificamos os acabamentos como cor e tratamentos, a pedido do cliente. Quanto melhor o estilista, mais diferente ficará o tecido. No caso de marcas como Alexandre Herchcovitch, Osklen e Maria Bonita, às vezes mal reconheço os tecidos, pois eles foram tratados de uma maneira tão especial que ficaram totalmente diferentes", afirma Pascolato.

Com produção pequena, a jovem marca Amonstro aposta no trabalho artesanal para fazer diferença. "Normalmente desenhamos a estampa, mandamos para a estamparia e depois fazemos todos os testes. Como nesta coleção apostamos no tye-dye, fizemos tudo manualmente". Para a próxima coleção, ela e sua sócia Helena Pimenta elaboraram toda a modelagem e tingimento das peças à mão.

Na
Neon
, as famosas estampas também são exclusivas. "O que estamos fazendo agora é criando parcerias para comprar o tecido e estampá-lo no mesmo lugar, para diminuir o custo e agilizar o processo", conta Dudu Bertholini, estilista da grife. "Pensamos em três coleções de uma vez: tem o inverno (o de 2008) que está chegando nas lojas, a primeira parte do verão (o de 2008/09) que entregamos em maio, e a segunda depois do SPFW. Também pensamos no próximo inverno (o de 2009), já que vamos entregá-lo em novembro", completa.

(Foto: Dudu Bertholini e Rita Comparato, da Neon: silhueta da próxima coleção deve vir mais perto do corpo)

Diretor criativo da marca de moda praia Rosa Chá, Amir Slama também está adiantado. "A criação do verão (2008/09), iniciada em novembro, foi encerrada e já entramos no processo de desenvolvimento das peças. Estamos no meio da criação do alto verão, que deverá ser lançado em agosto", afirma.

(Foto: Bordado em sutiã da Rosa Chá)


 

Tendências e novidades

Para quem pensa tão longe, o inverno deste ano, que ainda nem chegou, já virou passado. E as tendências que serão usadas só no final deste ano estão na ponta da língua. "Os tecidos ficarão bem leves. Como os desfiles europeus mostraram muitas transparências, fizemos tecidos de nylon irisado com brilho, muita organza, seda em malha e tear com leveza e uma cara translúcida. Temos também tecidos finos com brilho mais discreto misturados com fibras poliamidas de algodão e viscose radial", adianta Costanza Pascolato. Algo importante, também, é a caída do tecido. "Temos o drapeado, os babados novos e tecnológicos e o franzido hiper fino", diz.

Entre os estilos, Costanza afirma que há uma linha bem anos 70, "new hippie" e outra de rock moderno, com aspectos brilhantes. "Nas estampas temos flores (pequenas ou com cara de feitas à mão) e espirros de tinta", completa.

Para a linha "premium" do SPFW, a dos estilistas mais fashion e lançadores de moda, a coisa muda um pouco. "Como o hippie já estourou no inverno passado, acho que serão tendência tecidos que possibilitem formas mais arquitetônicas. De cores, os tons fortes como o de laranja, pink e coral, contrapondo com neutros violáceos, claros e rosados."

A
Neon planeja uma mudança em relação às suas coleções anteriores. "Pensamos numa silhueta mais próxima do corpo e mais estruturada, diferente de antes. Queremos algo fresh", define Bertholini.

A
Amonstro segue o mesmo caminho. "Somos conhecidas por usarmos cores bem fortes. No verão fugimos um pouco disso e usamos tons pastéis", afirma Lívia.

Amir Slama adianta que a
Rosa Chá
terá "peças com uma preocupação na modelagem, tecidos fluidos e confortáveis. A amplitude das roupas [ou dos biquínis e maiôs] trará uma nova sensualidade à mulher".

Para saber mais sobre as marcas entrevistadas, clique nos nomes abaixo:

Santaconstancia
Amonstro
Rosa Chá
Huis Clos
Neon

Veja também fotos dos ateliês e fábricas. Clique aqui.

Fonte: Uol Estilo